Existem excepções, mas devem ser só para confirmar a regra: quando sou obrigada a ler não me apetece fazê-lo. Quem sabe se tivesse tido uma cadeira do género Literatura Inglesa – ficção J. K. Rowliana não teria ido comprar Harry Potter and the Deathly Hallows no dia (noite) em que saiu dos caixotes selados, acorrentados, com infra-vermelhos à volta e td e td e td. Por exemplo, acho que ia adorar ter lido Wuthering Heights, ou não. Bem, doesn´t reaaly matter. Isto só para dizer que o Fernando Pessoa é um gajo que parece saber das coisas; isso de falar de amores contemplativos e locus amaenus não era a cena dele.
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O Sol doira
Sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa…
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…
… diz Fernando Pessoa e eu subscrevo! Quem me dera passar os meus dias a esperar por D. Sebastião … quando há bruma claro está. Às vezes a ignorância faz bem à alma.